quinta-feira, 3 de novembro de 2011

M&m's

Ser algo. Isso sempre me incomodou ao longo da vida. Creio que é vício daqueles que nascem com a "invejável" capacidade imaginativa. Se você pode imaginar diferentes universos, animações engraçadas a partir de um par de cones de trânsito ou até mesmo de seus próprios sapatos, o que há de atrativo nessa coisa de "ser" algo?

Você pode ser advogado. Você pode ser publicitário. Você pode ser um game-designer. E você pode ser músico. O que vai ser? hein? hein?

"Sérgio (Malandro), eu vou ficar com duas portas. O que? Não pode. Ah, vai se f*%$#. Eu vou ficar com duas portas e não me encha o saco."

Duas portas!? Isso é criticável aos olhos de um psi_____ (preencha sua especialidade aqui)?
É coisa de louco? Sei lá. Depois que o Steve Jobs morreu, percebi que a sanidade pode ser medida em moeda corrente. Loucos ricos são gênios. Loucos pobres são coitados. E os loucos que ficam no meio...bem...esses ficam no meio mesmo, no meio de todos. E é aí que são colocados para tratarem de suas características pouco rentáveis bem longe dos seus primos loucos nos extremos do gráfico.

Duas portas: Músico e publicitário.

Pô, mas meu pai me disse que é preciso ser algo mais seguro. Mamãe recomendou seguir um caminho mais comum também. Até mesmo meus amigos demonstraram que é importante esse negócio de ser algo--e mais ainda--considerar que isso de ser "algo e ponto" já tá bom demais para quem tem que pagar impostos, impostores, contas, contadores, amigos e amores. Tudo custa.

E...olhando para uma conta de TV e Internet....eu percebo que no combo vem uma lição de filosofia dolorosa e desesperançosa. Às vezes (99% delas) é melhor ser um mais ou menos do que ser um "serei".

O mais ou menos, que aqui chamarei de algo simpático como "M&m's", pode sair para beber cerveja.
O M&m passeia.
M&m's casam. Se multiplicam.
M&m's em geral compram um carro bem cedo. É item-padrão.
M&m's tem muitos amigos no aniversário. Outros M&m's, é claro.
M&m's se divertem com o que mais ou menos todo mundo se diverte.
Muitos M&m's vão mais ( ou menos) longe, viajando o mundo e postando suas pequenas glórias ao lado de monumentos distantes que só servem para decorar seus profiles de Facebook.
Ah meu Deus, consigo me lembrar de como era ter aquela casquinha...droga. Me deu pânico e eu decidi sair do pacote.

O que eu ganhei com isso? Ahn....tentar algo diferente. É, eu quis ser o "M&m" que deu um salto. Não um salto para a Europa. Nem sequer um pulinho para Buenos Aires. Olha, na verdade, não sei ao certo se pulei do pacotinho dos outros M&m's.

Enfim. Dei um salto para tentar algo muito melhor, não só em $ mas como em tempo.
Inspirado por tantos grandes contos de coragem de nossa modernidade, decidi fazer essa peripécia, apostar as fichas e lutar para ganhar o número na roleta.

Um crime aos olhos da Constituição M&m'ista.

De qualquer jeito, eu tinha apostado. Só tinha um problema: apostei em ser alguma coisa "mais ou menos". E é aí que me lasquei. M&m's não podem querer renascer como "outro tipo de M&m". A regra é clara. Está nos "fatos nutricionais". E, graças a isso, parei de lutar para ser um "M&m" de outra cor.

Agora fico recapitulando tudo, desde o momento em que comecei essa jornada de "quebra da matrix", até agora. E percebo que ando com um desafio:
Como é que se faz para prestar atenção aos dias que agora passeiam em frente à minha janela? Eles vão passando e se uniformizando de crise e, estranhamente, eu tenho passado a sentir cada vez menos interesse neles.

Hum.

Vamos criar.

Criei. Pronto. E agora?

Nada.

Criei. Pronto. Nada.

Hum. Vejamos...

Ah, o mundo deve estar como deixei antes, não é mesmo?

Não.

Como as bolsas de valores, a minha figura anda em plena desvalorização.

Assim sendo, vivo uma fase de aprendizado recluso, aquele que pescadores e mendigos conseguem dominar ao ponto do mestrado. Tenho visto o conceito de amizade e camaradagem sob uma perspectiva diferente, uma perspectiva de quem tem tempo para dizer como está e mais tempo ainda em perceber os motivos pelos quais cada vez menos pessoas têm se preocupado em ouvir.

Aos poucos, vou me transformando de M&m em M&h. É isso aí. Começo a virar um mobiliário-humano. Uma espécie de profile fantasma na internet, que vai arrastando correntes de convites e conversas mal-assombradas, pois aquele que está do outro lado nem precisa te perguntar como você está. Ele sabe que você não anda lá muito bem, logo é melhor para ele nem perguntar.

Vai que você precise de ajuda, não é mesmo?

Não sou santo. E é graças a isso que me dou ao direito e marcar uma a uma, essas pequenas doninhas que vivem nessa toca de concreto. O que poucos sabem é que, eu , homem-cadeira, só me mantenho inteiro graças a um núcleo de pessoas muito, mas MUITO valiosas. Pessoas que mostram a cada dia como sou sortudo. Sortudo e burro. Minha penitência é me ver burro por confiar em diferentes "amigos", "camaradas", "colegas" e afins.


É, já estive nessa situação antes. Mas agora algo muda na minha "filosofia mendiga". Algo perigosamente sutil quebrou aqui dentro. Resumo? Ok, não posso pedir que você leia por mais tempo o texto de um móvel-humano. Então segue:


"Que Deus me perdoe. Mas eu não perdoo mais esse tipo de gente. Ok, uma hora faço as pazes com os meus amiguinhos M&m. Mas só pelo hábito mesmo. Perdão, daquele que a gente sabe que tem que dar para quem nem faz ideia de que precisa....hum...esse não. '


Toda essa fase de mobiliário humano me fez sacar uma coisa muito simples:
O homem não é mesmo uma ilha. É uma porra de um predador. E isso vai muito além da agressão física. Da agressão verbal. Creio que hoje conheço pessoas que já conseguem ser capazes de praticar diariamente a agressão social. Pessoas que são uma lição para a natureza redefinir a palavra "predador".
Assim sendo, aconselho a você, ser humano-de-verdade:
Tome cuidado com os M&m's. Dos seus males, o açúcar é o menor.

terça-feira, 26 de julho de 2011

E foi!

COMO FOI
Vale dizer que ele foi promissor desde o primeiro momento.
Sabe, ele foi filho de um lamento.
Já foi do santo.
Já foi herege.
E foi capaz de ser os dois.
Religião de muitos e, sem vergonha nenhuma, ao mesmo tempo foi ateu.

Foi bem comportado, para seus padrões.
Mas depois foi ficando louco. Foi cabeludo. Foi careca.
E foi foda..ele foi até algo que ninguém sabe se é homem ou mulher.

Já foi para rebeldes.
E, quando necessário, foi quem chamou a responsabilidade para si.

Foi orgânico, todo natureba.
Foi experimental.
Foi elétrico, aí foi acompanhando os tempos e se meteu a ser eletrônico.
Foi glamouroso. Já foi simples. Já foi virtuoso! Bravo!
E...sei lá, não é que foi desleixado? Mesmo assim, fique tranquilo. Ele foi bem.
Foi da época dos clássicos, ah se foi. Mas olha...foi divulgado que ele promete voltar inovador. Sempre prometem isso.

Como ele já foi moda, foi brega e foi moda de novo, ele foi ficando meio independente com relação a essas coisas.
Foi inevitável perceber que ele foi muitas vezes o que dita o momento.

Talvez por isso dizem que foi dado como atemporal.

Foi regional. E ele mostra que foi para o mundo todo.
Foi drogado. Foi a salvação de muita gente. Ele foi dono de muitos sobrenomes. Foi infantil, foi bandido e também foi merecedor de hinos.

Ok.
É, ele já foi xingado de muitas coisas. também.
E tudo bem. Foi ele quem xingou muita coisa de volta. E foi bem feito !

Ele foi de trem até a garagem matutou em muitas delas. Aí à noite foi mostrar que é dono de arenas modernas. Mas o mais esquisito é que, depois de tudo isso, ele foi...no bolso mesmo.

Ele já foi progressivo.E voltou retrô. Foi vendido. Foram comprá-lo de volta.

Às vezes ele foi só uma fase. Ou foi o que transformou tudo que não é ele em uma esquecida.

Não importa o que ele já foi.

Ele é uma atitude.

Daquelas que ninguém sabe muito bem como foi.
Mas é sempre bom encontrarmos em nós.

Dia 13 de junho foi o dia dele. Dia mundial de 1,2,3,4! E lá foi ele de novo!

ROCK'N'ROLL BABY : )

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lona

É uma pena mesmo. Mas 2011 vai ganhar o primeiro texto com uma dose cavalar daquela nuvem de pensamentos negros. Aqueles, que nas tirinha de humor muitas vezes não são balõezinhos com texto, mas só uma nuvem negra.

Achei que 2010 era um ano maldito. Comecei este pensando em seguir subindo. Abrir um negócio. Ganhar um dinheirinho, ter mais tempo para escrever, cantar, seguir com as artes, uma dádiva-maldição que me acompanha.

Por favor, não me chame de herege. Só de realista. Sempre gostei da ideia de não me conformar em me resumir a ser apenas uma coisa, um especialista- da - especialidade- da- área- específica. Mas é fato que, quando a gente fecha um texto, dá stop em uma música ou sai do cinema, uma verdade absoluta bate à nossa porta: Quanto de dinheiro ganhamos?

Há muito pouco tempo eu preguei uma ideia que eu sei que ainda está fermentando dentro de mim: Qual o papel do dinheiro em nossas vidas? Não o monetário ou óbvio, mas o sentido filosófico?

O dinheiro existe pra quê? Creio que é para nos auxiliar a vivermos plenamente. Não somos faraós, que acreditavam levar seus bens, animais, entes queridos e serviçais para o além. Então é bom ganhar algum para viver. Viver para ganhar algum não faz muito sentido.

Só tem um problema. Creio cada vez mais que a vida anda perdendo o sentido. Não viver para ganhar dinheiro para poder (sobre)viver é mais ou menos como ter um carro que não larga, sob meu humilde ponto de vista.

A vida é bela. Mas é difícil pra cacete. Esse é sentido, claro. Vidas fáceis tendem a terminar mais rápido. Pergunte ao mendigo que dorme nas ruas nessas noites frias de cinco ou seis graus. Ele vai te dizer que com quase nada está já com cinquenta e poucos, quando muitos já empacotaram aos quarenta, muito quentinhos e bem vestidos para ir para o além, de terno e gravata.

Caro(a) leitor(a), entenda que hoje não estou com o menor compromisso em criar um texto sarcástico. Nem sequer qualquer coisa que valha um "post legal". Tô falando da parada crua e nua.

Já estive "por cima". Em muitos departamentos. Mas não é que eu tenho a maldita natureza de querer expandir sem fim? E, para melhorar, não falo no quesito "grana". Não. Eu abro ( e como abri) mão de ganhar essa maldição de papel e metal para expandir meus horizontes, minha liberdade.


Bem, agora eu sou bem livre. Livre de tudo e todos. Livre da minha banda. Livre de alguns malditos ex-colegas de trabalho. Mas, acima de tudo, livre de ter a liberdade de pagar as contas.

Dinheiro. Ele é a razão de muitas coisas. E, mais do que infelizmente, cada vez mais eu o vejo como o fim da conta dessa fucking life.

O dinheiro compra coisas demais. Algumas são reais e efêmeras, como roupas, um dvd ou livro. Mas as que mais me incomodam são as coisas "invisíveis" que ele compra.

Perante meu próprio tribunal-MBA em filosofia de vida, admito que sou muito burro. Um interesseiro é o ser humano mais competente para se fingir meu amigo. Sempre me cerquei desse tipo de ser minúsculo de existência e sempre me ressenti de percebê-los apenas quando já não sou mais alvo de seu interesse.

Tenho amigos. Mas amigo, amigo, daquele que merece que você se mate para ajudá-lo, só dois. L.F. e L.L., vocês sabem quem são.

O resto? Sob meu ponto de vista "prático", começo a pensar de maneira maniqueísta. Vejo que todos só ajudam aqueles que não precisam de ajuda, como quem investe em uma empresa que já anda em alta sob o pretexto de "quero acreditar no futuro". Sim. Futuro. O dele.

Vou sair dessa. Mas antes de mais nada, é preciso ter em mente que essa nuvem de pensamentos negros precisam virar ensinamentos translúcidos de tão claros.

Nessa vida, meus caros, conte com UMA pessoa. Você mesmo.

O resto? Faça politicagem, boa-vizinhança, simpatia, chame do que quiser. Mas vá levando sem pôr muita fé. Mesmo quando eles derem cambalhotas para "mostrar que pode por fé, eu tô aí pro que der e vier".

Mas não sejamos injustos. Dá para esperar uma coisa das pessoas com certeza. Elas vão ter dar muito. Muito espaço e distância quando você estiver na pior.

Eu estou na pior. E, aproveitando o espaço que me deram, vou ver se anoto no chão os nomes e atos dos meus "queridos amigos". Claro que os que ganham letras garrafais são os que conseguiram ajuda real da minha parte e hoje dão o lema da vida moderna: "Veja bem, é que...".

Lona. É onde estou agora. Espero poder usar a perspectiva para ganhar uma visão mais estreita do que quero nessa p$#%% de vida.

E , se der tempo--melhor--se der dinheiro, dou vazão àquela coisa tão descrente por redatores, filósofos e cientistas: A realização da minha alma.

Até lá, o cardápio por aqui vai ser de textos com vitamina, ou seja, com CASCA.

Favor cuspir o caroço longe do teclado. ; J





sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Bat-e-volta

Agosto de 2010. Como um daqueles super-heróis que não estão na ativa há muito tempo, eu retorno aqui. Minha bat-caverna dos textos insólitos.

Desde agosto do ano passado, quando eu vivia um stress absurdo pela minha extinta banda, até hoje guardo um sentimento de traição por parte daquela molecada. Me doeu muito ver como cada um lidou com minhas músicas e mais ainda perceber que dentre tantas formas de lidar com o que eu escrevia e cantava, ninguém levou aquilo pelo lado poético...ou artístico no sentido da arte mesmo.

Isso já foi embora. Eu componho e me preparo.

Agora meu emprego. Na zilar-caverna há de se guardar tudo, sejam textos filosóficos, teorias deliciosas ou meramente uma constatação. E essa é a constatação.

Um emprego não quer empregar o melhor de nós. Ele que só nos pregar a ele mesmo.

Confuso, não?

Pra quem trabalha e não se sente realizado, acho que não.

Hoje em dia vivo um mundo que tem muitas tramas e personagens e , bizarramente, como último coadjuvante, tipo o "tio que serve o cachorro-quente ao herói", vejo a empresa e seus objetivos.

Quando pedi ao meu pai para poder trabalhar em publicidade, eu dei um motivo final, simples e sincero: " Eu só quero ser feliz ,pai". Eu tinha acabado de pegar minha OAB, era um advogado e não me via como tal.

Hoje eu sou publicitário. E olha, não ando muito feliz.

Da mesma forma que ganhei uma espécie de medo para com minhas ideias musicais, como se elas depois de "saídas " de mim virassem futuras cobras a me envenenar, agora sinto o mesmo com minha ideias para publicidade.


A publicidade é podre. É mais putas, drogas, fraude, roubo e hipocrisia que 3 woodstocks e 4 Donald Trumps juntos em um copo, sem gelo.

O mais estranho nesse mundo é que ele parece ser um planeta à parte. Um mini-planeta dentro do planeta Terra, dentro do Brasil, dentro de São Paulo e dentro do bairro onde trabalho.

Aqui não se deixa sequer ir embora. É preciso lutar por isso. Porque por mais que você veja que todos à sua volta lutam pela sua saída, você não consegue cumprir esse desejo porque o dono do lugar sabe o motivo disso:

As pessoas tem ambições desprovidas de asas. Elas apenas "querem" coisas. "Querem" ganhar mais. "Querem" controlar. Mas não lembram sequer como se escreve merecimento.

Merecimento nos dias de hoje é bom relacionamento. Se você puxar um saco, se você parecer que está indo muito bem ( mesmo ficando o dia inteiro jogando no Facebook dentro do trabalho), não importa.

Merecer algo é um detalhe.

Eu quero merecer mais felicidade. Ó minha zilar-caverna, eu hoje me sinto um heroi derrotado.
Meus sonhos já andam encarcerados há tanto tempo que acho que eles não mais gritam por resgate. E isso é desesperador.

De consolo, eu atravesso essa época com uma balança que começa a se equilibrar.

Dinheiro sem felicidade não traz nada.
Felicidade sem dinheiro pode ir buscar tudo.
Tanto dinheiro quanto felicidade nunca serão coisas garantidas na vida.


Agora olho para o que sei, como o heroi que observa seu hall de armas empoeiradas.
Eu olho pro que vivi, como o heroi que lê os perfis de vilões que já derrotou.
E olho pra minha companheira, como o heroi que sabe que não está mais sozinho nessa luta.


É hora de ter coragem. Reagrupar. E lutar a última luta com o mesmo ânimo que qualquer um lutaria na primeira batalha de sua vida.

E sem bat ou zilar-móvel, é claro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Doze folhas

Bem, é isso aí. Sem chororô, 2010 começou com os "dois pés no meu peito". Bem...ele começou assim bem pior pra muita gente.

E aí eu acho que agora, aos 29 anos de idade, adquiri uma coisa estranha: Um sentimento de que um ano é pouca merda. Caraca. Demorou. Mas hoje eu sinto que tem muita coisa pra rolar em meras 12 folhinhas de calendário. Se eu tivesse de pegar meus dias e separar a 'massa magra da gordura"...percebo que nessa vida o dia é muito gordo. Muito stress e preocupação e pouca realização.

E como disciplinar as 12 folhinhas? Janeiro é safado, já chegou saindo de fininho. Fevereiro é um mês mais malandro ainda...mas que sacanagem. Depois fica para agosto, setembro e cia. resolver tudo que se acumulou. E aí é que me bate esse sentimento meio idiota de que estou jogando fora um tempo valioso.

Na verdade, é um perigo essa perspectiva que os 30 anos começa a jogar na minha cara. Porque eu não acho qualidade você ver um ano como 'pouca merda". Quando era mais novo o sentimento que tinha era de que em um ano eu vivia três temporadas inteiras de um seriado comprido chamado "Eu". Agora, putz grila. Parece que três meses se juntam em um canto e combinam uma fuga entre meus dedos.

Talvez eu seja um "Branco de Neve" agora. Preciso cuidar bem desses meus 12 meses anões.
Bem...nem isso--onze. E muita coisa precisa ser feita agora. Hora de escolher uma ou duas e tentar ao menos emplacar essas. Caso contrário, quando abrir os olhos, já seja hora de jogar fora essa minha agenda, sempre marcada em um dia atrasado.

E não dá pra ser um atrasado pra viver a sua vida. Ou dá?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A cereja que azeda

Bem, mesmo em meio aos zilhares ( trocadilhos infelizes me dominam em momentos de cansaço) de trabalhos na agência, decidi escolher um assunto complicado para um momento de vida em que ele está mais do que bem resolvido.

Provas de afeto. Já tive uma porção de relacionamentos e comecei a refletir sobre isso ao perceber que dentro do mundo fantástico do orkut há um bom indício contraditório sobre as provas de afeto. Não é uma regra, mas tenho lá minha pulga de 5 kg atrás da orelha com relação aos "orkuchos", aqueles profiles todos tchu-tchu/ nhu-nhu, repletos de inhos, que vão do carinho à síndrome de nanismo aplicada ao reino animal. Gatinhas, coelhinhos, lindinhos, fofinhos, e por aí vai, ao melhor estilo "Comercial da Parmalat para maiores", afinal, essa arca de Noé em miniatura fornica ( trepa), né?

Não sei você, leitor(a), mas em minha vida parece que quanto mais se prova e externa, mais mela. Até em filmes acho um indício de que as milhares de provas de amor, aquele entulho da construção de uma vida à dois tem uma aura de "yakult", sabe? Azeda.

Benzedeiras e macumbeiras de plantão deveriam ter a simpatia "How to fuck a relationship" com a crendice de que "minha filha", se você juntar 4 álbuns de orkut com fotos à dois e montagens à la "amor à dois na sua FM", uns 3 ou 4 presentes tipo travesseiros "eu te amo", umas duas peças de roupa presente bem do tipo "ai, vc vai ficar tão lindo(a) nela"....você ganha a atenção dos deuses pra criar um 2012 no seu amor sem fim.

Por isso, em um misto de teoria e balela, eu reflito. Minha felicidade não precisa de um dossiê da minha querida. Não. Ok, eu deixo lá uma foto ou duas dela, claro, mas não quero dar margem para a principal vocação das fotos do par que temos, que é eternizada em filmes.

Fotos do par e o princípio da "cereja que azeda"?!

O que? Você nunca percebeu?


Ah.


A foto do par é sempre o alvo da trilha sonora mais "tomara que eu seja eletrocutado no banho, ela(e) me deixou", do choro equacionado em NX ZERO.2+PI elevado ao CPM22 e da montagem "A vida era boa com essa vaca, meu Deus, e agora? Não sei como irei sequer piscar os olhos simultâneamente!".

E os presentes? Gente, eles rendem 5% de alegria e , caso você complete o álbum da simpatia da cereja que azeda, eles tem 100% de eficácia como "encosto sentimental-espiritual".

Nada contra presentes. Eu recentemente presenteei meu par. Eu já disse, acho que foto daquilo que gostamos é muito válido. Mas se o princípio é verdadeiro, por favor, lanço ao mercado a dieta kodak:

Você tira foto daquela torta de limão obscena, faz um álbum com 19 fotos dela no orkut, cria poesias do tipo "Do limão(zinho), veio a torta e o amor do meu coração' para mandar em ppt ( declarações de amor em ppt: Uma discussão que antecede tratados pelo desarmamento nuclear, por favor) e espera. Certeza. Vai azedar que nem o queijo branco daquela dieta que você tentou antes dessa.

Aí você termina com a torta de limão. Ok, comecei com a cereja, mas terminei no limão.

Ótimo. Dizem que azedo é ótimo para emagrecer. E no quesito relacionamento, como diria o cozinheiro do Vinicícius de Moraes: As que pegam pesado que me desculpem, mas em relacionamento, leveza é fundamental.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Inutilidades indispensáveis.

Moro sozinho. É bom dizer isso logo de cara para que possa entender de onde vem tanto universo próprio quando falo de meu apartamento, um apartamento que nem é meu....olha, ele não é muito apartamento e nem é meu. É uma ficção imobiliária, senão pior, um marco existencial nos meus 28 anos de idade que não passa de filosofia de figurinha de chiclete.

Ao morar só, meu apartamento ( vamos usar o termo para sermos práticos...e otimista,TÁ?)...tornou-se uma criança de quatro paredes, meio esburacada, com sérios problemas de sinapse elétrica. Em suma, moro dentro de um imóvel retardado. Se considerarmos que arquitetos idolatram as semelhanças entre o morador e seu imóvel...talvez eu deva ignorar mais a arquitetura ou eles devam me estudar um pouco.

Quando me mudei para lá, me lembro que era um tipo de ser humano em níveis aceitáveis de consumismo, até mesmo porque não sabia o que era ter um salário de 4 dígitos. Minha senha do banco tinha 4 dígitos, mas meu saldo...era bem Nietsche: Além do bem e do mal.

Depois de um tempo, comecei a equipar o apartamento, arranjando sofá, um tapete, pufes, almofadas, luminária...e um juicer. Um juicer parecia ser o robô que todo cara que luta contra a balança gostaria de ter. Ele transformaria frutas em suco e com isso eu achava que no meio do barulho e dos bagaços eu poderia escamotear um pneuzinho aqui e acolá.

Merda de juicer. Mas ele é importante. Ele foi minha primeira inutilidade indispensável. Este tipo de produto tem várias formas, utilidades e preços...mas todos têm algo em comum:

Eles nos mostram como priorizamos as coisas de forma imbecilóide.

Já disse que moro no térreo? Não? Então...imaginem viver no BigBrother, só que a audiência...é mais direta. O juicer...aquele maldito...ele é quem me impediu de impedir essa merda de vizinhança à janela. Era comprá-lo ou instalar cortinas espessas. Juro, às vezes...misturando o sentimento do juicer que não salvou minha dieta e a janela escancarada...sem cortinas...acho que sou uma peça de presunto na vitrine da nova boutique de carnes da Vila Madalena.

Mas também às vezes me sinto em plena transmissão pornô, em "parei-pela-view". O baiano vai ali, anda, para, rodeia e arranja um jeito de se divertir quando estou em meus momentos íntimos...

As inutilidades indispensáveis. O juicer foi a primeira. A segunda foi um aparalho de abdominais que dá choque. É, eu quero me jogar da janela ( mas moro no térreo, lixo)...eu comprei. Eu admito gente. Eu não votei no Lula, eu adivinhei o final de Jogos Mortais 1, mas eu caguei...eu comprei o "choquinho mágico". A cada compra dessas....o cheiro do desespero....o cheiro da burrice...e o cheiro de cookies prontinhos no forno, que eu fiz em homenagem à minha imbecilidade para compras.

O que o querido aprelhinho de abdominais me impediu de comprar? Ah, claro. Ele impediu algo. As inutilidades indispensáveis sempre entram no lugar de algo "chato e necessário".

O aparelhinho de choques ( diga-se de passagem que aquilo NÃO é prático. Se você já tem lá sua pancinha, imagine a tristeza que é lambuzá-la de gel e colocá-la para tomar choques que mais parecem agulhas)...essa porcaria me impediu de comprar um novo aparelho celular. Então continuo assim, gastando horrores para falar com os caras da banda...gritando horrores tentando achar sinal dentro da minha própria casa e....vivendo os horrores em frente ao espelho.

É ali que você pensa..."Brahma eu te amo. Brahma eu te odeio", enquanto encolhe e relaxa a barriga...lixo.


Vou escolher minha terceira inutilidade indispensável. Ando pensando em um aquecedor. Os dias estão quentes...e acho demais poder criar uma película de "planejamento" comprando um aquecedor em um dia quente. É a chance de ignorar o juicer que fez picadinho das minhas cortinas ou do aparelhinho de choques para abdominal que fritou a minha plenitude telefônica.

Ah, e claro: É a chance de começar a pensar no que aquele aquecedorzinho de merda está me levando a não comprar em prol da minha vida consciente, aquela que só aparece quando estou no espelho ou dando tchau da minha sala para a rua que me observa...