segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Doze folhas

Bem, é isso aí. Sem chororô, 2010 começou com os "dois pés no meu peito". Bem...ele começou assim bem pior pra muita gente.

E aí eu acho que agora, aos 29 anos de idade, adquiri uma coisa estranha: Um sentimento de que um ano é pouca merda. Caraca. Demorou. Mas hoje eu sinto que tem muita coisa pra rolar em meras 12 folhinhas de calendário. Se eu tivesse de pegar meus dias e separar a 'massa magra da gordura"...percebo que nessa vida o dia é muito gordo. Muito stress e preocupação e pouca realização.

E como disciplinar as 12 folhinhas? Janeiro é safado, já chegou saindo de fininho. Fevereiro é um mês mais malandro ainda...mas que sacanagem. Depois fica para agosto, setembro e cia. resolver tudo que se acumulou. E aí é que me bate esse sentimento meio idiota de que estou jogando fora um tempo valioso.

Na verdade, é um perigo essa perspectiva que os 30 anos começa a jogar na minha cara. Porque eu não acho qualidade você ver um ano como 'pouca merda". Quando era mais novo o sentimento que tinha era de que em um ano eu vivia três temporadas inteiras de um seriado comprido chamado "Eu". Agora, putz grila. Parece que três meses se juntam em um canto e combinam uma fuga entre meus dedos.

Talvez eu seja um "Branco de Neve" agora. Preciso cuidar bem desses meus 12 meses anões.
Bem...nem isso--onze. E muita coisa precisa ser feita agora. Hora de escolher uma ou duas e tentar ao menos emplacar essas. Caso contrário, quando abrir os olhos, já seja hora de jogar fora essa minha agenda, sempre marcada em um dia atrasado.

E não dá pra ser um atrasado pra viver a sua vida. Ou dá?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A cereja que azeda

Bem, mesmo em meio aos zilhares ( trocadilhos infelizes me dominam em momentos de cansaço) de trabalhos na agência, decidi escolher um assunto complicado para um momento de vida em que ele está mais do que bem resolvido.

Provas de afeto. Já tive uma porção de relacionamentos e comecei a refletir sobre isso ao perceber que dentro do mundo fantástico do orkut há um bom indício contraditório sobre as provas de afeto. Não é uma regra, mas tenho lá minha pulga de 5 kg atrás da orelha com relação aos "orkuchos", aqueles profiles todos tchu-tchu/ nhu-nhu, repletos de inhos, que vão do carinho à síndrome de nanismo aplicada ao reino animal. Gatinhas, coelhinhos, lindinhos, fofinhos, e por aí vai, ao melhor estilo "Comercial da Parmalat para maiores", afinal, essa arca de Noé em miniatura fornica ( trepa), né?

Não sei você, leitor(a), mas em minha vida parece que quanto mais se prova e externa, mais mela. Até em filmes acho um indício de que as milhares de provas de amor, aquele entulho da construção de uma vida à dois tem uma aura de "yakult", sabe? Azeda.

Benzedeiras e macumbeiras de plantão deveriam ter a simpatia "How to fuck a relationship" com a crendice de que "minha filha", se você juntar 4 álbuns de orkut com fotos à dois e montagens à la "amor à dois na sua FM", uns 3 ou 4 presentes tipo travesseiros "eu te amo", umas duas peças de roupa presente bem do tipo "ai, vc vai ficar tão lindo(a) nela"....você ganha a atenção dos deuses pra criar um 2012 no seu amor sem fim.

Por isso, em um misto de teoria e balela, eu reflito. Minha felicidade não precisa de um dossiê da minha querida. Não. Ok, eu deixo lá uma foto ou duas dela, claro, mas não quero dar margem para a principal vocação das fotos do par que temos, que é eternizada em filmes.

Fotos do par e o princípio da "cereja que azeda"?!

O que? Você nunca percebeu?


Ah.


A foto do par é sempre o alvo da trilha sonora mais "tomara que eu seja eletrocutado no banho, ela(e) me deixou", do choro equacionado em NX ZERO.2+PI elevado ao CPM22 e da montagem "A vida era boa com essa vaca, meu Deus, e agora? Não sei como irei sequer piscar os olhos simultâneamente!".

E os presentes? Gente, eles rendem 5% de alegria e , caso você complete o álbum da simpatia da cereja que azeda, eles tem 100% de eficácia como "encosto sentimental-espiritual".

Nada contra presentes. Eu recentemente presenteei meu par. Eu já disse, acho que foto daquilo que gostamos é muito válido. Mas se o princípio é verdadeiro, por favor, lanço ao mercado a dieta kodak:

Você tira foto daquela torta de limão obscena, faz um álbum com 19 fotos dela no orkut, cria poesias do tipo "Do limão(zinho), veio a torta e o amor do meu coração' para mandar em ppt ( declarações de amor em ppt: Uma discussão que antecede tratados pelo desarmamento nuclear, por favor) e espera. Certeza. Vai azedar que nem o queijo branco daquela dieta que você tentou antes dessa.

Aí você termina com a torta de limão. Ok, comecei com a cereja, mas terminei no limão.

Ótimo. Dizem que azedo é ótimo para emagrecer. E no quesito relacionamento, como diria o cozinheiro do Vinicícius de Moraes: As que pegam pesado que me desculpem, mas em relacionamento, leveza é fundamental.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Inutilidades indispensáveis.

Moro sozinho. É bom dizer isso logo de cara para que possa entender de onde vem tanto universo próprio quando falo de meu apartamento, um apartamento que nem é meu....olha, ele não é muito apartamento e nem é meu. É uma ficção imobiliária, senão pior, um marco existencial nos meus 28 anos de idade que não passa de filosofia de figurinha de chiclete.

Ao morar só, meu apartamento ( vamos usar o termo para sermos práticos...e otimista,TÁ?)...tornou-se uma criança de quatro paredes, meio esburacada, com sérios problemas de sinapse elétrica. Em suma, moro dentro de um imóvel retardado. Se considerarmos que arquitetos idolatram as semelhanças entre o morador e seu imóvel...talvez eu deva ignorar mais a arquitetura ou eles devam me estudar um pouco.

Quando me mudei para lá, me lembro que era um tipo de ser humano em níveis aceitáveis de consumismo, até mesmo porque não sabia o que era ter um salário de 4 dígitos. Minha senha do banco tinha 4 dígitos, mas meu saldo...era bem Nietsche: Além do bem e do mal.

Depois de um tempo, comecei a equipar o apartamento, arranjando sofá, um tapete, pufes, almofadas, luminária...e um juicer. Um juicer parecia ser o robô que todo cara que luta contra a balança gostaria de ter. Ele transformaria frutas em suco e com isso eu achava que no meio do barulho e dos bagaços eu poderia escamotear um pneuzinho aqui e acolá.

Merda de juicer. Mas ele é importante. Ele foi minha primeira inutilidade indispensável. Este tipo de produto tem várias formas, utilidades e preços...mas todos têm algo em comum:

Eles nos mostram como priorizamos as coisas de forma imbecilóide.

Já disse que moro no térreo? Não? Então...imaginem viver no BigBrother, só que a audiência...é mais direta. O juicer...aquele maldito...ele é quem me impediu de impedir essa merda de vizinhança à janela. Era comprá-lo ou instalar cortinas espessas. Juro, às vezes...misturando o sentimento do juicer que não salvou minha dieta e a janela escancarada...sem cortinas...acho que sou uma peça de presunto na vitrine da nova boutique de carnes da Vila Madalena.

Mas também às vezes me sinto em plena transmissão pornô, em "parei-pela-view". O baiano vai ali, anda, para, rodeia e arranja um jeito de se divertir quando estou em meus momentos íntimos...

As inutilidades indispensáveis. O juicer foi a primeira. A segunda foi um aparalho de abdominais que dá choque. É, eu quero me jogar da janela ( mas moro no térreo, lixo)...eu comprei. Eu admito gente. Eu não votei no Lula, eu adivinhei o final de Jogos Mortais 1, mas eu caguei...eu comprei o "choquinho mágico". A cada compra dessas....o cheiro do desespero....o cheiro da burrice...e o cheiro de cookies prontinhos no forno, que eu fiz em homenagem à minha imbecilidade para compras.

O que o querido aprelhinho de abdominais me impediu de comprar? Ah, claro. Ele impediu algo. As inutilidades indispensáveis sempre entram no lugar de algo "chato e necessário".

O aparelhinho de choques ( diga-se de passagem que aquilo NÃO é prático. Se você já tem lá sua pancinha, imagine a tristeza que é lambuzá-la de gel e colocá-la para tomar choques que mais parecem agulhas)...essa porcaria me impediu de comprar um novo aparelho celular. Então continuo assim, gastando horrores para falar com os caras da banda...gritando horrores tentando achar sinal dentro da minha própria casa e....vivendo os horrores em frente ao espelho.

É ali que você pensa..."Brahma eu te amo. Brahma eu te odeio", enquanto encolhe e relaxa a barriga...lixo.


Vou escolher minha terceira inutilidade indispensável. Ando pensando em um aquecedor. Os dias estão quentes...e acho demais poder criar uma película de "planejamento" comprando um aquecedor em um dia quente. É a chance de ignorar o juicer que fez picadinho das minhas cortinas ou do aparelhinho de choques para abdominal que fritou a minha plenitude telefônica.

Ah, e claro: É a chance de começar a pensar no que aquele aquecedorzinho de merda está me levando a não comprar em prol da minha vida consciente, aquela que só aparece quando estou no espelho ou dando tchau da minha sala para a rua que me observa...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

De volta, com os seres encantados

Olá pessoal, eis que depois de 1 ano de jejum em textos corridos ( porque parar de compor música é que não consigo mesmo), cá estou eu de volta. Nossa. Da última vez o português era a língua que eu falava e escrevia sem (muito) medo...agora...só perdendo mesmo o medo de errar.

Bem, não vou escrever um texto sobre o maldito acordo ortográfico da língua portuguesa.
Chega de procurar pelo em ovo. Procurem mesmo é a porra do acento, que eles comeram e não pagaram para ninguém.

O assunto, como o próprio tópico diz é "seres encantados". Acho estranho, mas aos 28 anos qualquer porra encantada só pode ser fruto de alguma substância que dá cadeia, ressaca ou complicações psicológicas. Mas eu lembro que durante uma época da vida eu também acreditava nessa coisa amorosa da "pessoa encantada". As mulheres adoram poder, logo, não se enganem, não é por acaso que o bicho encantado delas é o príncipe. Eu sei que é sacanagem, mas já pararam para pensar na grande metáfora que é o príncipe encantado?

DECUPANDO O PRÍNCIPE ENCANTADO

1) É um cara com poder, que manda em gente pra caralho ( ele é príncipe, porra)

2) Ele não é prepotente, embora possua o poder, não é maluco por ele ( já que ele é príncipe. Se fosse o Rei encantado já ia mandar a donzela se fuder de cara, o cara saberia que a mulherada quer mesmo é a coroa dele rs)

3) O príncipe sempre vem em um cavalo branco (a metáfora aqui é simples. Hoje em dia esse príncipe vem em um puta-carrão....novinho, claro, daí a menção ao branco)

4) Ele é encantado. ( Na boa...homem encantado pra mulher...convenhamos, se vc é homem e já se sentiu encantado, vc sabe de onde vem a fonte da sua "mágica", né?...)


Chega de decupar ( ou melhor, detonar ) o príncipe encantado. Mas é fato que ele tem lá sua utilidade. Ele me faz lembrar de como eu também já sonhei com a donzela encantada. Porque minha gente, convenhamos, se até o maior erro de encarnação feminina sonha com o príncipe encantado ( que tem como missão salvar a donzela, que é uma beleza de mulher)...qualquer homem pode se considerar o possível príncipe encantado de alguma donzela por aí.

E aí é que está. A donzela, sejamos bem justos, aos olhos de um homem também tem que ter os seus encantos. E olha, matar este mito é tão duro quanto abandonar de pedir presente de dia das crianças...é fogo. Mas ao mesmo tempo te dá uma vontade incrível de rir de si mesmo.

A donzela encantada...ela era uma mulher nitidamente indefesa, uma criatura desejada por qualquer um que tenha a sorte de encontrá-la...e ela é rapidamente apaixonada por você justamente porque você tem as qualidades que só uma donzela poderia reconhecer...e...ACORDA.

Acorda. Sério.

DECUPANDO A DONZELA ENCANTADA ( aplicando sinceridade)

1) A donzela é bela. (tradução: A donzela te dá tesão.)
2) Ela está indefesa. ( tradução: Ela não vai enrolar pra ser "salva")
3) É um achado ter encontrado a própria. ( tradução: Meu Deus, nenhum dos meus amigos pegadores catou?! Maravilha...)
4) Ela se apaixona imediatamente e se deixa ser levada. ( Eu sou romântico, mas convenhamos que nesse mito, se tirarmos os frufrús...esse lance de ser levada com certeza não é pra mostrar como o seu BlackBerry tem um sinal maravilhoso no seu quarto, né?)
5) Ela está sozinha. ( O que é perfeito. Mulher quando se junta em mais de 4, nem o Brad Pitt passa pelo 'senado que menstrua".)


Logo...acho que é melhor abandonar por completo esse lance encantado. Acho que o encanto de cada um está justamente nas pequenas brechas que existem em cada ponto de realidade, de dia a dia e de oscilação entre o "eu não vivo sem essa mulher" e o "eu quero me matar com essa mulher". Caso você não tenha paciência para esperar esse tipo de momento aparecer, fure a fila e encontre lá um encanto ou outro com poções mágicas loiras, geladas e de colarinho...mesmo que isso não te permita subir de volta no seu "cavalo branco" na pior das hipóteses, você deixa o resgate para a donzela ( ou o dragão!) rs

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Calçadas trincadas

São Paulo. Meu Deus, ainda estou aqui. É difícil acreditar que entrei para a horda de pessoas que perseveram na idéia de que ficar por aqui é preciso para se conseguir algo. Juro que às vezes fecho os olhos e estou em Búzios. Irônico. Não me dou bem com a praia. Meu físico só foi amigo do cenário por 3 anos. Abro os olhos. São Paulo não liga muito para isso. Hoje estou formado, a faculdade deixa todas as suas babaquices para trás e eu me reconforto sabendo que muito que eu disse em conselho aos meus coleguinhas é verdade. Conforto idiota. Ninguém me aplaude no pequeno ônibus—sábios.

Estou a caminho de um trabalho que foi sonhado há 5 anos. É gostoso pensar assim. Mas aí me lembro da sala, sem sofá, sem tapete, uma metáfora concretizada de que eu ainda não tenho laços com minha própria rotina. Muita gente faz isso. Tenho medo de ser um hóspede que vive 30 nos em um quarto sem desfazer as malas, auto-iludido de que irá partir a qualquer momento. Mas eu teimo.

O microônibus chega ao destino, uma estação de trem com gente bem-vestida, mal-educada e mais ou menos consciente disso. O dia promete. Uma cotovelada de uma senhorinha. Me pergunto imaginando de que cidade ela veio, com idéias mais ou menos parecidas com a minha...e como essa química existente entre o que queremos e o que São Paulo nos oferece produz materiais tóxicos, uma névoa de mal-humor, que paira, intoxica a todos e aos poucos cria sedimentos de ressentimento em alguns.

Eu me dei um tempo. Estou nesse “infarto-lifestyle” novamente há pouco tempo. É meu segundo round. Eu já sei como é importante manter as pernas tão vivas quanto a cabeça, e relaxar a ambição com o mesmo esmero que fazemos com o pescoço, esperando o trem.

Um rapaz acelera ao meu lado, desesperado às nove e quarenta da manhã para passar à minha frente no bloqueio. O trem não está vindo. É, eis um paulistano, ou um Lemming, criatura de um jogo de 92. O pior é que nem posso dizer que aqueles eram bons tempos—é difícil ser saudosista neste mundo banda-larga/vida-curta.

Fecho os olhos novamente. Quando abro, vejo uma moça impecável. Engraçado. Quando pegamos a mesma estação de trem todos os dias, começamos a nos tornar um pouco síndicos da imagem que todos que ali ficam compõe. Ela é uma nota fora da melodia chata da estação Cidade Universitária. Vai procurar emprego. Sem explicação, sem eira nem beira, todos sabemos isso. Ela arruma o cabelo.

O trem chega. O único banco livre é refém da falta de ministros da educação eficientes no país. O homem é dono de pernas e braços patrocinados pelo MST. Eu sinto o fel paulistano patrocinando 0.03% de um possível infarto. Filho da puta. Eu vou me sentar.


Me sento, ele continua a pressionar. Burro sou eu—assim ele deve imaginar, uma vez que é dono de um aroma publicitário, divulgador de sua amabilidade. Estação Hebraica-Rebouças, uma moça desce e me liberta daquele banco.

Mudo de assento. O homem olha e dá uma leve bufada, como rinocerontes fazem com fotógrafos exóticos—um pequeno incômodo.

Chego à Vila Olímpia. Meu cenário. Hora de procurar um futuro estável se equlibrando pelas calçadas trincadas de um lugar que todos os dias mostra com seu trânsito, conduta das pessoas e condições climáticas que a última coisa que um ser inteligente pode esperar desta região é estabilidade.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Xadrez-sexo

Olá, minha gente. Sim, eu ainda escrevo.

Estava eu em meio aos meus textos publicitários, defendendo marcas na agência quando me peguei com duas situações/informações relevantes. A primeira veio de uma amiga minha, Gabriela, que se diz satisfeita com meus textos ao mesmo passo que inaugura a atividade "bloggeira"; a segunda é o papo que surgiu com um amigão meu pela internet, o que me fez refletir sobre um início de entrada na fase 3.0 da vida relacionamental. Para tal, criei na hora uma certa metáfora, para que nos confortássemos com um panorama mais neutro da vida à dois. Não é um desânimo ou uma promessa, mas um jeito bem-humorado de separar um pouco os estágios de proximidade que temos e estabelecemos com as pessoas.

Acho que muita coisa se aplica de forma "unissex".
rs

A RELAÇÃO COM O SEXO OPOSTO NA MESA, OU MELHOR, NO TABULEIRO DE XADREZ:



Peão- Sair , simplesmente o “pegar/ficar/rolar algo”. Lamento, mas o sexo também está incluso. Simpes assim, quando dói na perda é mais como no jogo em si...”pô, mas já perdi um peão?!?” Gente, este é o primeiro estágio neste nosso estudo bizarro. Sem irritação. Meninas, não sou o primeiro a falar de peão, as amantes de Barretos e das lajes de construção que me defendam...rs


Cavalo- A pessoa passa a se tornar uma saída mais constante. Dá pra ligar sem tanta nóia.
É aquele primeiro passo de confiança. Você tem uma parceira de qualidade, que já se desenha digna de algum nível de confiança. Dá pra se mostrar um pouco dependente dela. Peão é uma coisa fácil de se descartar. Um cavalo já dói um pouco. É a mesma coisa. Muita gente ( eu me incluo) fica doída por meses quando perde uma pessoa que alcança este estágio de representatividade. Outros, por outro lado, adotam a figura do “Dono de Haras”, onde é corriqueiro comprar e sacrificar cavalos, assim tendo muitas parcerias boas, mas nunca esquentando a sela para ter de fato uma evolução. Bom E ruim, com certeza.


Torre- Estabilidade, a pessoa ( mulher no meu caso) se torna uma parceira fixa e/ou um rolo mais sério. Aqui você começa a descartar espontaneamente outras pessoas de sua agenda de lazer. Não é ainda para muitos o momento de uma exclusividade, mas já algo que reduziria numericamente a “concorrência” para ela com 80% do tempo e um outro alguém com 20%. Para nós homens, acredito que é o momento em que se sente o cheiro de um namoro. Para as mulheres, não sei o que dizer. Pode ser o cheiro de dinheiro perdido, com aquele seu ingresso do Chiclete com Banana ou a viagem das “causadoras”, marcada para 15 dias a partir deste momento. O momento da torre é famoso por inspirar a frase “você é a pessoa certa na hora errada”, mote dos corações equipados com excel...


Bispo- Surge o namoro, no sentido correto da palavra. Comprometimento dos dois, é o primeiro ponto-chave, onde se investe mais do que o preço do ingresso de cinema ou um dia do fim de semana. Não é um casamento, mas considerando que passamos por estágios de liberdade e estes só foram avançados por clima+vontade+situação, é um belo momento. Creio que agora, depois dos 25 anos, 60% das relações que teremos sequer chegarão a este ponto. Começamos a valorizar mais nosso tempo e sentimentos. E namoro, como deve ser, é uma aposta dos dois. E aqui que descobrimos o primeiro lote de “surpresas”. Por isso mesmo só aqui é que se inicia uma busca real por uma afinidade, uma cumplicidade maior.


Rainha- A rainha é perfeita nesta metáfora porque em geral representa o momento da sutil transição de “namorada” para uma "Na morada"— ou seja, alguém que começa a morar junto com você, seja todo dia ou só de fim de semana. Ela provavelmente se canditará como “ princesa” ( ou príncipe, no caso das meninas) perante a “Rainha”, sua mãe, futura sogra dela(e). Eu não vivi muitas vezes este momento. Para ser sincero, todos os aspectos aqui listados nunca vieram ao mesmo tempo em uma só relação, mas a esperança é a última que morre. Minha mãe pode ser tudo, mas não é recepcionista de estação de trem para ser abordada por qualquer viajante. A rainha é um grande passo, onde já se define na cabeça que este namoro não é “só mais um namoro como os outros”. Aqui os amigos, sejam nossos ou delas, companheiros de cerveja, trabalho etc...tentam assumir o papel de “congresso”. Os melhores, junto à família integram o Senado. Os “camaradas” palpitam de leve, como Câmara dos Deputados. Seja sincero e admita o que você é. Tem quem tem um estilo de vida sentimental democrático, assumindo esta influência, mesmo que de leve; e tem também as pessoas que tem o “Amor-Saddan Hussein”, ou seja, é ditatorial, exterminando qualquer opinião da oposição. Conheço quem entra na fase da rainha exterminando quaisquer “possíveis causadores de pensamentos contrários à decisão”.


Rei- Óbvio, chegamos ao noivado/ casamento. Cheque-mate. É isso ou nada. Momento onde para nós, machos, guerreiros— espadachins das palavras, cavaleiros que sabem montar uma bela dama, a guerra deve chegar a um acordo final. É duro para nós, porque como César, todo conquistador tem seu gosto pela guerra. Muitos fogem simplesmente pelo que eu chamo de “Complexo do Caralho Viking”- O cara se apavora porque sempre se imaginou morrendo com a “arma” em punho, em combate, ou seja, como solteiro, somo se isso o fizesse ir para o “Valhalla dos comedores”. Tsc. Na situação do Rei, temos a rainha, que nos colocará um belo manto...mas as ao mesmo tempo realocará nossa “espada” ( habilidade de caça) da cintura para uma parede, como uma lembrança querida pelo homem e odiada pela mulher. Para nós é o momento de entender que inteligente é o homem que celebra cuidadosamente “a paz”, para que aposente de vez suas armas de guerra. Por isso, o Rei simboliza aqui o final da partida.

A metáfora do xadrez funciona porque , mesmo no caso do Rei, sendo o casamento retratado como "cheque-mate", sabemos que sempre há chance de recomeçar uma nova partida...e tem gente que adora nesta vida sentimental tentar uma "melhor e 3"!

sábado, 8 de março de 2008

Zé ordinário e seu dia complicado

Zé ordinário era um cara como eu ou como você: tinha dias bons, dias ruins--os que mais marcavam sua memória, infelizmente--e tentava obter alguma fórmula mágica onde os dois se neutralizavam oferecendo gotas de felicidade. Sabia que a vida que tinha era muito boa comparada a de outros, mas nasceu com torcicolo de ambição: vivia olhando o que poderia realizar a mais, e não o contrário.


Todos os dias ( ou tardes) em que acordava após uma noite de sonhos sem culpa, Zé ordinário tentava catalogá-los como presságios de algo grandioso. Se o bom futuro ou uma simples boa fase existem, ele pretendia com todas as forças memorizar o cheiro de um dia de mudança--para melhor, é claro. Assim sendo, se focou na primeira golfada de ar por toda fase de marasmo que passava.


Um belo dia, Zé ordinário pensou em um animal de estimação. Talvez a solidão tivesse o egoísmo que mataria sua capacidade de relacionamento. Por medo ou por impensada precaução, decidiu adotar um animal, uma companhia para os dias sem sonhos, afinal, a golfada de ar era relevante apenas nos dias de possíveis presságios. Seu projeto era ambicioso, muito maior do que um emprego ou um carro esportivo, mas a descoberta do aroma e todos os indícios de uma boa fase, de uma virada de maré. Um animal o ajudaria a manter o foco quando necessário, já que o ajudaria a relaxar nos dias desprovidos de devaneios atômicos.

Assim sendo, Zé pensou em cães, gatos e pássaros como companhias irritantes. Não seria possível a ele uma criação com o amor e carinho que estes animais necessitavam. Até mesmo o gato. Gatos são raros de dar problema ou fazer barulho excessivo, mas é inegável a raridade divina do objetivo de Zé. Ele não conseguiria mais viver se, no dia de sua grande virada, seu nariz fosse inundado pelas fragrâncias revoltantes de vômito ou fezes felinas. Ele acabaria matando o pobre animal, e isso ainda amaldiçoaria sua próxima vida, tornando o projeto uma promessa adiada por calculados 167 anos. Não. Ele conseguiria o aroma do dia decisivo a qualquer preço. O animal era necessário para mantê-lo no curso.


Assim sendo, cogitou os peixes e animais "semi-bibelô". São fáceis de cuidar. Peixes, algas, anêmonas, cavalos (marinhos, por favor!)--tudo muito silencioso. Calmo. Inodoro. Admirou as qualidades até que seu cerne se dobrou em direção a uma resposta lógica: Mas que coisa mais chata. Ficar sozinho sem nada pra ver é solidão. Ficar sozinho com diversas vidas acontecendo é isolamento. Que se danem os peixes--pensou. Era final de tarde e foi cozinhar os parentes menos afortunados de seus últimos candidatos a pet.

Quebrando ovos para acompanhar os peixes cogitou em um galo. Galos o ajudariam a acordar, não dando margem à falhas como preguiças matinais ou ressacas elásticas, capazes de alcançar até as 16 horas. Um galo o ajudaria no dia. Sorriu e quase proferiu um "achei", mas imediatamente se viu obrigado a abortar. Seu porta-talheres era justamente a carcaça de um rádio-relógio infeliz, que tentou acordá-lo para uma entrevista de emprego às 5:45. Cinco e quarenta e cinco da manhã é crime--pensou--eu só agi em legítima defesa--retrucou, ali, sozinho com as duas pescadas e os ovos, cadáveres da busca de Zé ordinário por um companheiro para seu grandioso projeto.


Mastigou quase que meia vez e foi interrompido pelo som de sua inépcia na cozinha. Cascas de ovo na comida. Que porcaria. Quando os bons dias chegarem, com certeza irá pagar alguém para exclusivamente limpar as cascas de seus ovos mexidos. Não. Uma cozinheira estaria fora de cogitação. Ele sabe cozinhar seus ovos como ninguém, apenas deseja deportar as casquinhas de ovo para longe de seu prato. Engoliu e olhou para a janela. Mais uma noite descoberto. Sem ninguém para acompanhá-l0. O que seria dele se amanhã fosse o dia da mudança? Ele cheiraria a nova fase com ânimo e não teria mais do que um travesseiro ou seu cabideiro para abraçar.

Desanimado, se viu em fracasso legítimo e irretratável. O dia se foi e agora ele dorme só. O animal que precisa para acompanhá-lo por todo processo não existe.

E, se ele não existe--concluiu--Deus não deve ter criado essa história toda de "vento da mudança" ou "fase boa", caso contrário, um animal seria o mais indicado para isso, mesmo em um segundo momento, para alguém de tirocínio raro como o dele." Até porcos sabem fazer algo além de se cagarem e comer metade do que cagam. Alguns farejam trufas, aquelas coisas que todos sabem ser caras mas nem cogitam sobre o sabor. "

Foi seu último pensamento antes de retirar os chinelos- de- dedo e permitir às meias uma retratação com sua forma original. Deitado, suspirou, não pelos meses de desemprego ou pelo tédio, mas por ter sido derrotado em sua jornada por animais.

Eis que teve o reflexo de sua torcicolo física, prima distante de sua personalidade dominadora e temerária ao mundo que não queria saber de Zé Ordinário nem por currículo. Olhou para cima e finalmente recebeu o recado que o faria o homem mais sábio do mundo, capaz de encarar as coisas com profunda sabedoria. Seu animal finalmente fora escolhido.

Era perfeito. Ele estaria com ele em todos os momentos e em todos os lugares, desde que deixasse um espaço para ser carregado. Era companheiro mesmo, daquele tipo que lembra os animais que seguem carrinheiros e maloqueiros em geral, não se importando em qual fase seu dono se encontra.

O martelo final veio quando se lembrou de que só são curiosamente encontrados como fêmeas. Ótimo. Cães fêmeas são mais calmos. Eis o animal que Zé Ordinário escolheu para sentir o perfume de dias melhores:







Se chama "esperança".






E dormiu. Seu rumo era brilhante. Agora só faltava saber o que esse bicho come, se e como é vacinado e por quanto tempo viverá ao seu lado...