quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sem sentido, com vontade

Volta e meia, em minhas caminhadas para casa, me pego em uma espiral: fico pensando em como eu poderia (se tivesse poderes infinitos) arrumar o Brasil. Uma brincadeira que começa saudável, mas chega uma hora em que percebo que foi mais fácil descer a Avenida inteira a pé do que pensar em uma solução definitiva. Eis o 1o tempo da "utopia zilarina":

1) Todos políticos com ficha suja são presos sob um novo tipo de processo que , ao contrário do comum, é feito 2 vezes mais rápido, não permite mais que 1 recurso e tem como juiz um júri formado por 25 pessoas de cada Estado do Brasil, em diferentes estratificações sociais e comprovadamente escolhidas aleatoriamente. Na primeira "limpa", quem manda é a ONU.

2) Se instaura mecanismos que proíbem a carreira política. Política não deve ser profissão. A pessoa pode ter 1 mandato de cada cargo (vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e por fim presidente da república).

3) Ministro não pode ser político há pelo menos 6 anos.

4) A educação se torna uma META. Em contrapartida, se martela uma justiça real, firme e eficiente. Por eficiente entenda a mudança do que é considerado menor de idade, gasta-se um budget absurdo na construção de presídios até o ponto em que esse país possa permitir que presos de crimes menores não façam escola com monstros. Ah, monstros ganham um lugar especial na programação televisiva: São fuzilados na TV Senado, ao vivo, com presença de familiares e autoridades.

Policiais, desde soldados, ganham um plano de carreira. Com isso, nossa polícia não seria mais militar, mas toda Civil. Os salários dos bons policiais são nitidamente compatíveis com a ideia de você acordar de manhã cedo, colocar a farda, cumprir ordens e colocar o peito para tomar tiro.

Policiais corruptos, envolvidos com o crime recebem pena de morte, assim como os monstros com quem trabalhavam. Em casos mais "leves", são presos com pena dobrada por se valerem da confiança da população em sua figura policial.

Enquanto o pau come de um lado, o lápis avança para o futuro. Professores também ganham salários muito bons. A exigência é dobrada para esses profissionais, enquanto infra-estrutura de primeiro mundo se instaura em todas as escolas. Com o tempo, muitos jovens promissores em fase universitária miram na profissão como antes miravam para serem médicos ou advogados (em busca da possibilidade de ótimos salários).

A propaganda política é finalmente livre do marketing. Todos os candidatos tem que usar uma roupa idêntica (versão masculina e feminina, claro). Todos os candidatos têm de falar em um estúdio IGUAL, apenas com uma tela de LCD atrás. Os recursos a serem utilizados sãos os mesmos. O Brasil cria a proibição de fundeamento de Campanhas políticas. Com tanto dinheiro sendo roubado antes e depois, chega-se à conclusão que é melhor o Estado deixar tudo igual. Ninguém pode colocar um centavo na Campanha, ela é feita em prédios públicos especialmente criados para essa função. (Ágoras modernas. Ali são feitos os comícios, debates e todo tipo de evento. Todos de forma igual).

Para poder votar, todo brasileiro nascido a partir desse Brasil super-educado deverá ser no mínimo formado no 2º grau. Se ele não é, será mais cedo ou mais tarde: sem 1º grau, nada de benefícios, só um pacote de ajuda que garanta sua dignidade humana. Embora ela ganhe esse pacote com roupas, moradia , alimentação e direito a esporte e entretenimento básico, ela está lá para concluir sua educação. Enquanto estiver neste estado,  essa pessoa não pode ter carro, nem imóvel próprio, nem nada.
Ela morará em prédios de classe média criados para essa função, até que termine o supletivo interno.
Para o 2º grau ela receberá um benefício com base em seu desempenho escolar.

As favelas serão tratadas como o que são : um pouco de tudo. Nem só bandido vive lá. E também nem todos que por ali vivem são "do bem". Esse vespeiro é tomado quarteirão a quarteirão. TODOS que moram por ali são mapeados. Sem essa de criar conjunto habitacional de graça pro cara enquanto ele vende o barraco para outro perpetuar a favela. As pessoas são na real tentadas constantemente a regularizarem seu espaço naquela comunidade, construindo um imóvel corretamente. Pessoas da comunidades podem ser reunir e trazer propostas para que o Estado as realoque ALI MESMO, mas em imóveis bons. O que acontece? Com o tempo as pessoas fiscalizarão a própria evolução urbana do local.

Aos que teriam de viver em uma favela nova, sempre que houver esse problema, ela é alocada pra um conjunto habitacional de gestão governamental. Por isso entenda um local que é vigiado por câmeras de segurança, tem em cada condomínio uma delegacia com 10 policiais, uma escola para todas as crianças que vivem ali  e um pequeno posto médico, tudo ali. Se podem integrar piscinas, por que não o básico para a população?

Os impostos são renegociados. Da 8ª ao final do 2º grau, todos somos educados sobre:
COMO FUNCIONA O SEU VOTO, O QUE CADA CARGO NO PODER DESSE PAÍS FAZ;
COMO FUNCIONA A ECONOMIA BÁSICA, TODO UM CURSO PARA QUE A PESSOA POSSA CRESCER HONESTAMENTE COM O QUE GANHA;
QUAIS SÃO OS IMPOSTOS.


Falando em impostos, nessa utopia polêmica que posto por aqui, empresários não precisam mais pagar esse absurdo de impostos, ao passo que são cobrados imediatamente a derrubarem seus preços para que possam requerer " o novo sistema". A conta é feita pelo novo governo, explicando que por pelo menos 2 anos os preços que ele praticará serão os mesmos que ele praticava com a remoção dos impostos que ele antes pagava.

Nesta Utopia, o transporte público muda. Os centros urbanos lotados ganham regiões onde é proibido o fluxo de carros particulares com menos de 3 pessoas à bordo. Criam-se os táxis inteligentes, que a partir de um imenso cadastro permite que 4 pessoas dividam 1 táxi por toparem ir para o mesmo lugar. O táxi imediatamente é readequado com câmeras de segurança, óbvio.

Meio ambiente. Ao invés de papo, ação. Crimes ambientais e contra os animais são apenados. A fiscalização não é mais leve, mas uma das mais perigosas para a bandidagem: Ela é 100% transferida ao exército. Na necessidade de combate ao tráfico de drogas (depois falo delas), finalmente nosso país profissionaliza e cria atrativos para os militares. O contingente é melhor remunerado, melhor equipado.

A força aérea finalmente triplica a quantidade de aeronaves. A lei do abate (pesquise) se torna realmente eficiente, pondo pra fuder com aviões de traficantes de drogas, madeira, pessoas e o caralho a quatro.

Em suma: Se o cara é pego em crime de tráfico de qualquer merda ou crime ambiental pelo exército, ele se fudeu. Vai preso e qualquer reação (tudo filmado, claro) é repelida com morte mesmo.

Nosso país muda. O mesmo investimento que fizeram um dia para que nascesse uma Brasília (já falo disso também) é realizado em duas novas cidades, bem no coração do Brasil e na Região Norte. A meta é criar 2 novas "São Paulo" em nosso país, distribuindo a atratividade e concentração de renda/PIB e todo resto que vemos sempre aglutinando na região Sul e Sudeste.

A maconha é finalmente tratada como uma realidade e não uma criminalidade. A venda do produto é legalizada e seu uso é tão controlado e regulamentado quanto o fumo de tabaco é hoje em ambientes públicos. ( pelo menos no estado de São Paulo)

Enquanto isso, templos pagam impostos sobre suas doações que reflitam um faturamento que é mais parecido com o de uma multinacional. Logo, arrecadou mais de XX.000 reais em doações, você paga impostos como qualquer empresa que saiu do "Simples".

Brasília não é mais sede do poder no país. A sede do poder é trocada de 4 em 4 anos. Sim. Assim como as Olimpíadas e a Copa. Chega de um palácio de Versailles tupiniquim. E nem daríamos chance de que houvesse outro desses.

O judiciário inteiro é finalmente suprido com o pessoal que necessita. Os processos devem correr e finalmente correm rapidamente. A população tem acesso a uma escola de Direito básico para saber de seus deveres e direitos em diversos aspectos de sua vida cotidiana. É só se matricular e fazer o curso de 1 ano na faixa, o  que ainda dá de boi a chance de prestar concursos jurídicos menores.

A imprensa livre é finalmente investigada por seu envolvimento com políticos.  Todo e qualquer "jabá" pago enseja na demissão de todos os envolvidos e na proibição de sua contratação em qualquer cargo relacionado ao meio artístico ou literário.


(continua...?)






















segunda-feira, 4 de junho de 2012

Quem.



Não amo muita gente. Verdade.
Adoro alguns, gosto de muitos, simpatizo com a maioria.
Mas amor?
Amor é algo difícil de acontecer. E é justo que assim seja.
O verdadeiro “amar” só é verbo por uma insuficiência linguística. Pelo lado humano da coisa.

Somos falhos, então é aí que o amor se viabiliza.

Amor não deve ser substantivo nem verbo.
Deve ser uma figura infinita-superlativa.
Deve ser inquestionável.
E sabe mais o que o amor deve?
Ele não deve nada pra ninguém.

Amor é coisa prepotente, gente.
É o que conquista tudo.
Ah, e está pouco se fudendo se isso hoje é chamado de clichê ou brega.

Amor é como um diamante: Algo difícil de se riscar ou atingir.

Amores podem ser estragados, fato, mas nunca apagados. Conjugar “amar” no passado é prova de uma coisa:
Não se tratava do amor.
Rapá, essa bagaça é o contrato da alma.


Olha, o amor pode até se transformar em ódio.
Mas da mesma forma que frio é ausência de calor, o ódio é a só uma gradação negativa de amor. Logo, tome cuidado com quem você odeia. Isso consome sua capacidade de amar outra pessoa por aí.

Para ser amor precisa de um alvo.

Eu tenho alguém a quem amo.

Quem eu amo sabe que eu não sou perfeito.
Sabe  disso pelo o que eu digo, pelo o que eu mostro e
pelo que ela mesma vai percebendo com o tempo.


Amar é estranhamente ver que tudo—tudo mesmo—no mundo pode ser colocado como um bom coadjuvante dessa história com uma pessoa.

Se você ama, parece que os filmes gringos fazem algum sentido quando martelam aquela frase:  “tudo vai ficar bem”.

E é real.
Por pior que tudo possa ficar, tudo ficará bem porque ela fica ao meu lado.

E é só isso.


Quem eu amo faz questão de conhecer tudo sobre mim. É aquela pessoa que estranhamente consegue saborear alguns de seus defeitos. É como quem come a fruta mais amarga e tem a ideia para usá-la em uma sobremesa deliciosa.

Quem eu amo consegue me acalmar perante o tempo, perante a juventude, perante amigos, inimigos e até me acalma perante o dinheiro, aquele tão inimigo do amor.

Com essa calma, eu percebo que o principal na vida—que é o que você vai descobrir o que é no dia da sua morte—é essa parada mesmo. É encontrar alguém que se ame de verdade.

E olha, o amor pode ou não ser romântico. O amor pode vir em vários formatos, mas seu conteúdo não muda.

Quem eu amo apareceu em um formato muito parecido com algo que estava longe de ser amor.

Então feche os olhos. Imagine agora tendo tudo que você sempre quis e se sentir essa certeza vai ver que a única coisa que vai querer é amor na vida.

Agora imagine outra coisa. Você perdendo tudo nessa vida. Sem nada. Sem carro. Sem dinheiro. Sem casa. 
Sem nada. 


Bizarramente, vai ver que nem percebia, mas tem muita gente que comprova que com amor você ainda consegue seguir em frente.


Por que?


Porque sabe que pelo menos o mais importante na vida já tem.

Eu amo ela.  Quem é?

Olha, até para dizer quem é ela tem algo específico só pelo fato de ser amor. Amor é como um bilhete de loteria:

Quem ganha sempre sabe. E ela não é diferente. ;)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

É preciso ter habilidade


Certa vez, em uma daquelas em que nos sentimos sortudos demais, ouvi de um recém-conhecido após uma troca de figurinhas e histórias de vida:

–Cara, você tem diferentes talentos. É legal, isso, hein?

Minhas resposta—e ela em si já é o ensejo desse post perdido em um silêncio eterno por aqui—foi novamente sincera:

—Sabe um talento que eu não tenho? Fazer amizades.

É, pelo senso comum, eu não tenho habilidade para fazer amigos. Tenho ampla habilidade para conhecer pessoas, mas torná-las alguém que de fato curta o meu jeito de pensar e viver, nah. Desencana.

  • Sabe quando você pega o seu telefone e liga para qualquer brother para tomar uma cerva? Bem, eu já fui educado pela estatística empírica a parar de fazer isso.
  • Sabe quando você faz aniversário e aparece alguém que você não esperava? Eu ainda estou esperando esse dia.
  • Sabe quando você encontra alguém que não vê há tempos e a pessoa quer marcar uma—e de fato marca. Nem marco mais no meu celular.

Em suma, se você viu “Feitiço do Tempo” com o Bill Murray nos anos 80…às vezes eu me sinto aquele mala maldito que todo dia tenta vender um seguro pro cara.

O problema é que ele é mala porque quer ganhar algo. Eu, nem isso. Como escrevem por aí...#fail. E risos para companhar. rs.

O engraçado ( ou trágico) sobre tudo isso é que, com o passar dos anos, começo a pensar se eu estava errado sobre esse lance de não ter habilidade para fazer amigos.

Após um episódio comum—a mim, claro (rs)—decidi pensar essa coisa a sério. De fato, hoje mesmo, ao sair para jantar no trabalho, me vi em um replay que está nas paradas de sucesso desde os tempos de os primeiros amiguinhos serem feitos no jardim de infância.

Ou, se preferir algo mais “maduro” , algo que remete ao meu lema, muito provavelmente outra herança da minha maldita mania de ser um resmungão otimista:

“ Sou como uma dose daquelas bebidas fortes que todo mundo pede:

Não é para qualquer um engolir.”

A primeira resposta para esse dilema sobre “será que eu sei ou não fazer amigos” surgiu de um toque sábio de um colega da faculdade. Esse pelo menos foi em tom de brincadeira:

“—O André é um daqueles caras que você pergunta como ele está…e o pior é que ele fala mesmo.”

Aí reside o que eu tento ( ou talvez precise) enxergar como efeito colateral da sinceridade. Sinceridade é uma daquelas coisas que as pessoas curtem falar e postar sobre no Facebook com fotinhos de qualquer-coisa-com-efeitos-de-photoshop para dizer que praticam, adoram, admiram e tal… mas na real nunca fazem. Na real, só se sentem culpadas aos montes de não poderem falar pro mundo “meu, por favor só fale o que eu quero ouvir, vai. Se não for pra isso, por favor, pegue o próximo corredor e vá se foder, seu mala filho da puta”

Sinceridade está para as massas como um Ice Tea está para o alcoólatra. Só rola se for uma versão com o que ele gosta.

Praticar sinceridade é como quando uma moça, à fila do supermercado, compra uma revista com a nova dieta da Luciana Gimenez e a coloca orgulhosa no seu carrinho--recheado de donuts e lasanhas congeladas. É balela. Mas tudo bem. Pode ser. Todo mundo faz, então não pega nada.

Então sinceros não fazem amizades? Só as pessoas que sabem ser coquetes, que tem o dom da

“ diplomacia” ou da “negabilidade sorridente” podem ter amiguinhos?

Opa. Aí é que está o pulo do gato—ou do que você pode chamar de mala.

(Se chamou de mala, por favor: aperte a tecla “f” do seu teclado e conte até dez.

Conte quantos f`s apareceram na tela e vá se foder a mesma quantidade. Obrigado. Agora continuemos.)

A boa conduta para fazer amigos só peca por um ASPecto. Ou melhor, ASPas.

Esse tipo de comportamento pode ser amplamente aceito—é fácil fazer uma criança aceitar chocolate, não?—mas não busca realmente amigos.

E não ache que eu, por ser ao máximo sincero ( e até sobre isso sou sincero, não sou uma máquina, logo ,não sou sincero 100% o tempo todo, mas é fato que em 90% das vezes eu sou ;)) sou um “truefriend machine 2000—ligue agora e peça o seu”.

O que rola na verdade é que eu te digo que, enquanto eu tenho aniversários ou eventos com menos pessoas do que você vê no comercial da cerveja do verão, eu pelo menos posso cuspir na cara de muita gente e falar:

Os dois amigos-amigos-e-não-brothers que eu tenho são à prova de balas.

São amigos com teflon. São pra valer. São a porra do fucking Chuck Norris do seu lado. São quem coloca no chinelo qualquer porra de filminho sobre amizade do Pão de Açúcar com o Gilberto Gil falando pra você fazer "ah, é mesmo, que legal"

Logo, como comecei o texto com pessoas me falando coisas que convenhamos…só externam de uma maneira não muito sincera um “ cara, eu odeio o seu jeito”, quero terminar otimista.

Já faz um tempo em que descobri um lugar onde só essa sinceridade “de merda” vira ouro:

Na música. Nela, como em tudo que faço, eu falo como estou, como penso e como acredito nos meus sonhos. Eu falo do que deu certo, do que queria que desse certo e sim, das muitas merdas e cagadas que eu já fiz e já fizeram comigo.

E meu...é engraçado como as pessoas não te conhecem, não sabem se você gastou dez reais ou dez mil para chegar até elas, se você já é ou não famoso…mas elas, sem nenhum estudo específico, há 10.000Km de distância conseguem discernir se você é algo de verdade ou algo feito para te fazer parecer com algo que elas querem encontrar.

Sério. Pensou em fazer algo para que elas acreditem na sua música...pode parar. Para, é sério. Mesmo. MESMO! rs

É nessas horas, quando eu converso com alguém que acabou de conhecer a Bravado—e falo pra caralho com desconhecidos sobre o que eles quiserem conversar, tudo sem muitos rodeios...nessas horas eu penso:

”Diplomacia faz colegas e é isso o que todo mundo faz. Mas aqui não é terra de quem é raso ou de quem faz o que todo mundo faz. Obrigado, Deus. Obrigado! Puta que me pariu, que bom.É tetraaa! É tetraaahhh!”

Arhammm. Ok. Eu melhorei. Retomando para fechar a conta do bar, ok? ;)

O que eu acredito é que, se algum dia você pensar que é preciso habilidade para fazer amigos, coloque as palavras nos seus devidos lugares.

Para fazer contato social superficial é preciso habilidade.

Para fazer amigos, tudo que precisa é a coragem de pagar o preço de ser chutado por 99% do mundo para encontrar o 1% que vai usar os braços não para te dar tapinhas nas costas (odeio), mas te abraçar pela vida afora.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

M&m's

Ser algo. Isso sempre me incomodou ao longo da vida. Creio que é vício daqueles que nascem com a "invejável" capacidade imaginativa. Se você pode imaginar diferentes universos, animações engraçadas a partir de um par de cones de trânsito ou até mesmo de seus próprios sapatos, o que há de atrativo nessa coisa de "ser" algo?

Você pode ser advogado. Você pode ser publicitário. Você pode ser um game-designer. E você pode ser músico. O que vai ser? hein? hein?

"Sérgio (Malandro), eu vou ficar com duas portas. O que? Não pode. Ah, vai se f*%$#. Eu vou ficar com duas portas e não me encha o saco."

Duas portas!? Isso é criticável aos olhos de um psi_____ (preencha sua especialidade aqui)?
É coisa de louco? Sei lá. Depois que o Steve Jobs morreu, percebi que a sanidade pode ser medida em moeda corrente. Loucos ricos são gênios. Loucos pobres são coitados. E os loucos que ficam no meio...bem...esses ficam no meio mesmo, no meio de todos. E é aí que são colocados para tratarem de suas características pouco rentáveis bem longe dos seus primos loucos nos extremos do gráfico.

Duas portas: Músico e publicitário.

Pô, mas meu pai me disse que é preciso ser algo mais seguro. Mamãe recomendou seguir um caminho mais comum também. Até mesmo meus amigos demonstraram que é importante esse negócio de ser algo--e mais ainda--considerar que isso de ser "algo e ponto" já tá bom demais para quem tem que pagar impostos, impostores, contas, contadores, amigos e amores. Tudo custa.

E...olhando para uma conta de TV e Internet....eu percebo que no combo vem uma lição de filosofia dolorosa e desesperançosa. Às vezes (99% delas) é melhor ser um mais ou menos do que ser um "serei".

O mais ou menos, que aqui chamarei de algo simpático como "M&m's", pode sair para beber cerveja.
O M&m passeia.
M&m's casam. Se multiplicam.
M&m's em geral compram um carro bem cedo. É item-padrão.
M&m's tem muitos amigos no aniversário. Outros M&m's, é claro.
M&m's se divertem com o que mais ou menos todo mundo se diverte.
Muitos M&m's vão mais ( ou menos) longe, viajando o mundo e postando suas pequenas glórias ao lado de monumentos distantes que só servem para decorar seus profiles de Facebook.
Ah meu Deus, consigo me lembrar de como era ter aquela casquinha...droga. Me deu pânico e eu decidi sair do pacote.

O que eu ganhei com isso? Ahn....tentar algo diferente. É, eu quis ser o "M&m" que deu um salto. Não um salto para a Europa. Nem sequer um pulinho para Buenos Aires. Olha, na verdade, não sei ao certo se pulei do pacotinho dos outros M&m's.

Enfim. Dei um salto para tentar algo muito melhor, não só em $ mas como em tempo.
Inspirado por tantos grandes contos de coragem de nossa modernidade, decidi fazer essa peripécia, apostar as fichas e lutar para ganhar o número na roleta.

Um crime aos olhos da Constituição M&m'ista.

De qualquer jeito, eu tinha apostado. Só tinha um problema: apostei em ser alguma coisa "mais ou menos". E é aí que me lasquei. M&m's não podem querer renascer como "outro tipo de M&m". A regra é clara. Está nos "fatos nutricionais". E, graças a isso, parei de lutar para ser um "M&m" de outra cor.

Agora fico recapitulando tudo, desde o momento em que comecei essa jornada de "quebra da matrix", até agora. E percebo que ando com um desafio:
Como é que se faz para prestar atenção aos dias que agora passeiam em frente à minha janela? Eles vão passando e se uniformizando de crise e, estranhamente, eu tenho passado a sentir cada vez menos interesse neles.

Hum.

Vamos criar.

Criei. Pronto. E agora?

Nada.

Criei. Pronto. Nada.

Hum. Vejamos...

Ah, o mundo deve estar como deixei antes, não é mesmo?

Não.

Como as bolsas de valores, a minha figura anda em plena desvalorização.

Assim sendo, vivo uma fase de aprendizado recluso, aquele que pescadores e mendigos conseguem dominar ao ponto do mestrado. Tenho visto o conceito de amizade e camaradagem sob uma perspectiva diferente, uma perspectiva de quem tem tempo para dizer como está e mais tempo ainda em perceber os motivos pelos quais cada vez menos pessoas têm se preocupado em ouvir.

Aos poucos, vou me transformando de M&m em M&h. É isso aí. Começo a virar um mobiliário-humano. Uma espécie de profile fantasma na internet, que vai arrastando correntes de convites e conversas mal-assombradas, pois aquele que está do outro lado nem precisa te perguntar como você está. Ele sabe que você não anda lá muito bem, logo é melhor para ele nem perguntar.

Vai que você precise de ajuda, não é mesmo?

Não sou santo. E é graças a isso que me dou ao direito e marcar uma a uma, essas pequenas doninhas que vivem nessa toca de concreto. O que poucos sabem é que, eu , homem-cadeira, só me mantenho inteiro graças a um núcleo de pessoas muito, mas MUITO valiosas. Pessoas que mostram a cada dia como sou sortudo. Sortudo e burro. Minha penitência é me ver burro por confiar em diferentes "amigos", "camaradas", "colegas" e afins.


É, já estive nessa situação antes. Mas agora algo muda na minha "filosofia mendiga". Algo perigosamente sutil quebrou aqui dentro. Resumo? Ok, não posso pedir que você leia por mais tempo o texto de um móvel-humano. Então segue:


"Que Deus me perdoe. Mas eu não perdoo mais esse tipo de gente. Ok, uma hora faço as pazes com os meus amiguinhos M&m. Mas só pelo hábito mesmo. Perdão, daquele que a gente sabe que tem que dar para quem nem faz ideia de que precisa....hum...esse não. '


Toda essa fase de mobiliário humano me fez sacar uma coisa muito simples:
O homem não é mesmo uma ilha. É uma porra de um predador. E isso vai muito além da agressão física. Da agressão verbal. Creio que hoje conheço pessoas que já conseguem ser capazes de praticar diariamente a agressão social. Pessoas que são uma lição para a natureza redefinir a palavra "predador".
Assim sendo, aconselho a você, ser humano-de-verdade:
Tome cuidado com os M&m's. Dos seus males, o açúcar é o menor.

terça-feira, 26 de julho de 2011

E foi!

COMO FOI
Vale dizer que ele foi promissor desde o primeiro momento.
Sabe, ele foi filho de um lamento.
Já foi do santo.
Já foi herege.
E foi capaz de ser os dois.
Religião de muitos e, sem vergonha nenhuma, ao mesmo tempo foi ateu.

Foi bem comportado, para seus padrões.
Mas depois foi ficando louco. Foi cabeludo. Foi careca.
E foi foda..ele foi até algo que ninguém sabe se é homem ou mulher.

Já foi para rebeldes.
E, quando necessário, foi quem chamou a responsabilidade para si.

Foi orgânico, todo natureba.
Foi experimental.
Foi elétrico, aí foi acompanhando os tempos e se meteu a ser eletrônico.
Foi glamouroso. Já foi simples. Já foi virtuoso! Bravo!
E...sei lá, não é que foi desleixado? Mesmo assim, fique tranquilo. Ele foi bem.
Foi da época dos clássicos, ah se foi. Mas olha...foi divulgado que ele promete voltar inovador. Sempre prometem isso.

Como ele já foi moda, foi brega e foi moda de novo, ele foi ficando meio independente com relação a essas coisas.
Foi inevitável perceber que ele foi muitas vezes o que dita o momento.

Talvez por isso dizem que foi dado como atemporal.

Foi regional. E ele mostra que foi para o mundo todo.
Foi drogado. Foi a salvação de muita gente. Ele foi dono de muitos sobrenomes. Foi infantil, foi bandido e também foi merecedor de hinos.

Ok.
É, ele já foi xingado de muitas coisas. também.
E tudo bem. Foi ele quem xingou muita coisa de volta. E foi bem feito !

Ele foi de trem até a garagem matutou em muitas delas. Aí à noite foi mostrar que é dono de arenas modernas. Mas o mais esquisito é que, depois de tudo isso, ele foi...no bolso mesmo.

Ele já foi progressivo.E voltou retrô. Foi vendido. Foram comprá-lo de volta.

Às vezes ele foi só uma fase. Ou foi o que transformou tudo que não é ele em uma esquecida.

Não importa o que ele já foi.

Ele é uma atitude.

Daquelas que ninguém sabe muito bem como foi.
Mas é sempre bom encontrarmos em nós.

Dia 13 de junho foi o dia dele. Dia mundial de 1,2,3,4! E lá foi ele de novo!

ROCK'N'ROLL BABY : )

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lona

É uma pena mesmo. Mas 2011 vai ganhar o primeiro texto com uma dose cavalar daquela nuvem de pensamentos negros. Aqueles, que nas tirinha de humor muitas vezes não são balõezinhos com texto, mas só uma nuvem negra.

Achei que 2010 era um ano maldito. Comecei este pensando em seguir subindo. Abrir um negócio. Ganhar um dinheirinho, ter mais tempo para escrever, cantar, seguir com as artes, uma dádiva-maldição que me acompanha.

Por favor, não me chame de herege. Só de realista. Sempre gostei da ideia de não me conformar em me resumir a ser apenas uma coisa, um especialista- da - especialidade- da- área- específica. Mas é fato que, quando a gente fecha um texto, dá stop em uma música ou sai do cinema, uma verdade absoluta bate à nossa porta: Quanto de dinheiro ganhamos?

Há muito pouco tempo eu preguei uma ideia que eu sei que ainda está fermentando dentro de mim: Qual o papel do dinheiro em nossas vidas? Não o monetário ou óbvio, mas o sentido filosófico?

O dinheiro existe pra quê? Creio que é para nos auxiliar a vivermos plenamente. Não somos faraós, que acreditavam levar seus bens, animais, entes queridos e serviçais para o além. Então é bom ganhar algum para viver. Viver para ganhar algum não faz muito sentido.

Só tem um problema. Creio cada vez mais que a vida anda perdendo o sentido. Não viver para ganhar dinheiro para poder (sobre)viver é mais ou menos como ter um carro que não larga, sob meu humilde ponto de vista.

A vida é bela. Mas é difícil pra cacete. Esse é sentido, claro. Vidas fáceis tendem a terminar mais rápido. Pergunte ao mendigo que dorme nas ruas nessas noites frias de cinco ou seis graus. Ele vai te dizer que com quase nada está já com cinquenta e poucos, quando muitos já empacotaram aos quarenta, muito quentinhos e bem vestidos para ir para o além, de terno e gravata.

Caro(a) leitor(a), entenda que hoje não estou com o menor compromisso em criar um texto sarcástico. Nem sequer qualquer coisa que valha um "post legal". Tô falando da parada crua e nua.

Já estive "por cima". Em muitos departamentos. Mas não é que eu tenho a maldita natureza de querer expandir sem fim? E, para melhorar, não falo no quesito "grana". Não. Eu abro ( e como abri) mão de ganhar essa maldição de papel e metal para expandir meus horizontes, minha liberdade.


Bem, agora eu sou bem livre. Livre de tudo e todos. Livre da minha banda. Livre de alguns malditos ex-colegas de trabalho. Mas, acima de tudo, livre de ter a liberdade de pagar as contas.

Dinheiro. Ele é a razão de muitas coisas. E, mais do que infelizmente, cada vez mais eu o vejo como o fim da conta dessa fucking life.

O dinheiro compra coisas demais. Algumas são reais e efêmeras, como roupas, um dvd ou livro. Mas as que mais me incomodam são as coisas "invisíveis" que ele compra.

Perante meu próprio tribunal-MBA em filosofia de vida, admito que sou muito burro. Um interesseiro é o ser humano mais competente para se fingir meu amigo. Sempre me cerquei desse tipo de ser minúsculo de existência e sempre me ressenti de percebê-los apenas quando já não sou mais alvo de seu interesse.

Tenho amigos. Mas amigo, amigo, daquele que merece que você se mate para ajudá-lo, só dois. L.F. e L.L., vocês sabem quem são.

O resto? Sob meu ponto de vista "prático", começo a pensar de maneira maniqueísta. Vejo que todos só ajudam aqueles que não precisam de ajuda, como quem investe em uma empresa que já anda em alta sob o pretexto de "quero acreditar no futuro". Sim. Futuro. O dele.

Vou sair dessa. Mas antes de mais nada, é preciso ter em mente que essa nuvem de pensamentos negros precisam virar ensinamentos translúcidos de tão claros.

Nessa vida, meus caros, conte com UMA pessoa. Você mesmo.

O resto? Faça politicagem, boa-vizinhança, simpatia, chame do que quiser. Mas vá levando sem pôr muita fé. Mesmo quando eles derem cambalhotas para "mostrar que pode por fé, eu tô aí pro que der e vier".

Mas não sejamos injustos. Dá para esperar uma coisa das pessoas com certeza. Elas vão ter dar muito. Muito espaço e distância quando você estiver na pior.

Eu estou na pior. E, aproveitando o espaço que me deram, vou ver se anoto no chão os nomes e atos dos meus "queridos amigos". Claro que os que ganham letras garrafais são os que conseguiram ajuda real da minha parte e hoje dão o lema da vida moderna: "Veja bem, é que...".

Lona. É onde estou agora. Espero poder usar a perspectiva para ganhar uma visão mais estreita do que quero nessa p$#%% de vida.

E , se der tempo--melhor--se der dinheiro, dou vazão àquela coisa tão descrente por redatores, filósofos e cientistas: A realização da minha alma.

Até lá, o cardápio por aqui vai ser de textos com vitamina, ou seja, com CASCA.

Favor cuspir o caroço longe do teclado. ; J





sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Bat-e-volta

Agosto de 2010. Como um daqueles super-heróis que não estão na ativa há muito tempo, eu retorno aqui. Minha bat-caverna dos textos insólitos.

Desde agosto do ano passado, quando eu vivia um stress absurdo pela minha extinta banda, até hoje guardo um sentimento de traição por parte daquela molecada. Me doeu muito ver como cada um lidou com minhas músicas e mais ainda perceber que dentre tantas formas de lidar com o que eu escrevia e cantava, ninguém levou aquilo pelo lado poético...ou artístico no sentido da arte mesmo.

Isso já foi embora. Eu componho e me preparo.

Agora meu emprego. Na zilar-caverna há de se guardar tudo, sejam textos filosóficos, teorias deliciosas ou meramente uma constatação. E essa é a constatação.

Um emprego não quer empregar o melhor de nós. Ele que só nos pregar a ele mesmo.

Confuso, não?

Pra quem trabalha e não se sente realizado, acho que não.

Hoje em dia vivo um mundo que tem muitas tramas e personagens e , bizarramente, como último coadjuvante, tipo o "tio que serve o cachorro-quente ao herói", vejo a empresa e seus objetivos.

Quando pedi ao meu pai para poder trabalhar em publicidade, eu dei um motivo final, simples e sincero: " Eu só quero ser feliz ,pai". Eu tinha acabado de pegar minha OAB, era um advogado e não me via como tal.

Hoje eu sou publicitário. E olha, não ando muito feliz.

Da mesma forma que ganhei uma espécie de medo para com minhas ideias musicais, como se elas depois de "saídas " de mim virassem futuras cobras a me envenenar, agora sinto o mesmo com minha ideias para publicidade.


A publicidade é podre. É mais putas, drogas, fraude, roubo e hipocrisia que 3 woodstocks e 4 Donald Trumps juntos em um copo, sem gelo.

O mais estranho nesse mundo é que ele parece ser um planeta à parte. Um mini-planeta dentro do planeta Terra, dentro do Brasil, dentro de São Paulo e dentro do bairro onde trabalho.

Aqui não se deixa sequer ir embora. É preciso lutar por isso. Porque por mais que você veja que todos à sua volta lutam pela sua saída, você não consegue cumprir esse desejo porque o dono do lugar sabe o motivo disso:

As pessoas tem ambições desprovidas de asas. Elas apenas "querem" coisas. "Querem" ganhar mais. "Querem" controlar. Mas não lembram sequer como se escreve merecimento.

Merecimento nos dias de hoje é bom relacionamento. Se você puxar um saco, se você parecer que está indo muito bem ( mesmo ficando o dia inteiro jogando no Facebook dentro do trabalho), não importa.

Merecer algo é um detalhe.

Eu quero merecer mais felicidade. Ó minha zilar-caverna, eu hoje me sinto um heroi derrotado.
Meus sonhos já andam encarcerados há tanto tempo que acho que eles não mais gritam por resgate. E isso é desesperador.

De consolo, eu atravesso essa época com uma balança que começa a se equilibrar.

Dinheiro sem felicidade não traz nada.
Felicidade sem dinheiro pode ir buscar tudo.
Tanto dinheiro quanto felicidade nunca serão coisas garantidas na vida.


Agora olho para o que sei, como o heroi que observa seu hall de armas empoeiradas.
Eu olho pro que vivi, como o heroi que lê os perfis de vilões que já derrotou.
E olho pra minha companheira, como o heroi que sabe que não está mais sozinho nessa luta.


É hora de ter coragem. Reagrupar. E lutar a última luta com o mesmo ânimo que qualquer um lutaria na primeira batalha de sua vida.

E sem bat ou zilar-móvel, é claro.